Você aprendeu a conviver com bombas-relógio e talvez isso explique seus sintomas...

EMOÇÕES

Yanne Hadad CRP 12/ 22911

3/31/20262 min read

Se você cresceu num ambiente com uma “bomba-relógio”, fique até o final.

Alguém que podia explodir, desorganizar ou entrar em crise a qualquer momento. E você nunca sabia exatamente o que esperar, né?

Ultimamente eu tenho me inclinado a me aprofundar nos estudos desse tipo de dinâmica e é fato que pessoas que aprenderam a conviver com um estado de alerta tão constante podem confundir com um traço de sua personalidade e as repercussões dessa experiência ficam deslocadas de suas memórias. O que tende a dificultar a elaboração dessas marcas.

Estado de alerta constante não é personalidade!

É um modo de defesa aprendido.

Geralmente começa na infância, em ambientes onde alguém da família era emocionalmente instável. Um pai com explosões de raiva, uma mãe que uma hora muito feliz, outro triste; um irmão que necessitava de cuidado por seus sintomas depressivos... uma casa com tensão frequente.

Você aprendeu a prestar atenção em tudo: tom de voz, expressões, mudanças de humor, silêncios... E se adaptou.

Você fazia isso para tentar prever o que ia acontecer, evitar conflito, ou se preparar para o pior. E mesmo assim nem sempre era o suficiente. E mesmo sem querer, você sentia como se a culpa você sua por não evitar ou não conseguir sair dali.

Era tão rotineiro que com o tempo isso automatizou.

Na vida adulta esse padrão continua, mesmo quando o contexto já é outro.

Eu não estranharia se você me dissesse que tem dificuldade de relaxar, mesmo quando está tudo bem; que fica sempre esperando que algo dê errado; que se sente responsável pelo clima emocional dos outros; que tenta se antecipar o tempo todo, como se precisasse prever problemas; fica desconfortável em relações ESTÁVEIS ou tranquilas e acaba notando envolvimento mais frequente com pessoas instáveis.

E quando está em um relacionamento tranquilo, começa a procurar sinais de problema. Interpreta mudanças pequenas como algo grave, ou fica inquieta porque “está bom demais”.

Familiar, né?

Outro ponto comum é ocupar o lugar de super coluna.

Organiza, resolve, empresta, cuida, doa... Mas tem medo de se colocar como alguém que também precisa de cuidado. Por motivos óbvios, me parece. E, quando tenta colocar limites, vem a culpa. A bendid culpa de novo!

Esse funcionamento gera desgaste e uma fadiga sem fim. Não é sono, é fadiga.

O corpo fica em tensão, a mente não desacelera, e todo tempo fica nessa vigilância constante. Não existe mais energia pra qualquer tipo de atividade, mesmo aquelas que você amava...

Isso não é personalidade!

E isso não muda de uma hora pra outra. Tem trabalho psíquico envolvido nesse processo.

Muitas vezes desconfortável, verdade.

Sem garantias, também.

Mas costuma ser uma aposta com retornos intransferíveis e vitalícios.

Na psicoterapia, o trabalho passa por:

  • reconhecer esse padrão;

  • compreender (sem se culpar e nem responsabilizar outros) de onde ele vem;

  • diferenciar passado e presente;

  • reduzir a sensação de responsabilidade pelo outro;

  • construir limites mais consistentes.

    Sem passo a passo, mas com um passo de cada vez!
    Espero, de coração, que você se permita.